“Where are you going anyway?”

4 ago

“Um homem está sentado em sua oficina, ocupado com uma invenção com rodas e molas. Você pergunta o que é o aparelho, para que servirá. Ele olha para você em tom de confidência e sussurra: ‘Na verdade, eu não sei’.

Outro homem vem correndo, descendo a rua, sem fôlego. Você o intercepta e pergunta aonde ele está indo. Ele responde, ofegante: ‘Como poderia saber aonde estou indo? Estou seguindo meu caminho.’

A sua reação – e a nossa, e a do mundo – é a de que estes dois homens são um pouco malucos. Toda invenção precisa ter uma finalidade, toda corrida, um destino.

Entretanto, por incrível que pareça, esta necessidade simples não se fez sentida no teatro. Resmas de papel beiram quilômetros de manuscritos – tudo isso sem objetivo nenhum. Existe muita atividade febril, uma grande quantidade de levante-e-comece, mas ninguém parece saber aonde está indo”.

É assim que o dramaturgo Lajos-Egri começa o primeiro capítulo do seu livro ‘The Art of Dramatic Writing‘, que tem como título “A Premissa”(The Premise). Ele destaca que, ao começar a escrever uma peça de teatro ou roteiro (ou para fazer qualquer coisa na vida), é preciso se ter um objetivo, saber aonde está indo, qual a finalidade do que se está fazendo.

Eu me lembro de quando comecei a escrever roteiros, eu não tinha paz, pois a todo instante me vinham idéias de diálogos, e eu passava tudo para o papel, e acumulava montes de ‘pedaços’ de roteiros. Depois tentava alinhavá-los num roteiro só, e tinha um trabalho enorme nessa tarefa.

Lajos-Egri, do alto de sua experiência, está nos dizendo simplesmente que não é assim. Há quem se revolte contra isso e diga que arte não precisa ter um sentido, um objetivo, pelo menos não da forma como a mente lógica e racional entendem sentido e objetivo.

É verdade que existem grandes obras artísticas que parecem não ter sentido nenhum. Eu gostaria de citar como exemplo o filme ‘A Viagem de Chihiro‘, que muitas vezes parece uma verdadeira ‘viagem’.

Da mesma forma, há filmes cujo roteiro é bem estruturado do ponto de vista técnico, mas não têm alma, lhes falta justamente o principal, o que dá realmente vida a um trabalho artístico, e isso muitas vezes parece não ter sentido ou objetivo algum.

Mas eu acredito que qualquer pessoa que tenha tentado escrever um roteiro vai concordar com Lajos-Egri. É preciso ter uma premissa clara, verdadeira, bem expressa em palavras, antes de começar a escrever sua peça ou script. Então é preciso desenvolvê-la, atento ao princípio, meio e fim. E é isso que vamos estudar nos próximos meses.

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