Poesia: Sant’Anna

16 ago

De repente, naqueles dias, começaram
a desaparecer pessoas, estranhamente.
Desaparecia-se. Desaparecia-se muito
naqueles dias …
Evaporava o pai
ao encontro da filha que não via …

Desapareciam amantes em pleno beijo
e médicos em meio à cirurgia.
Mecânicos se diluíam
– mal ligavam o torno do dia.

Desaparecia-se a olhos vistos
e não era miopia.
Desaparecia-se
até a primeira vista.
Bastava que alguém visse um desaparecido
e o desaparecido desaparecia.

Affonso Romano de Sant’Anna

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