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The hero’s journey

16 ago

“They thought that it would be a disgrace to go forth as a group.
Each entered the forest at a point that he himself had chosen,
where it was darkest and there was no path. If there is a path it
is someone else’s path and you are not on the adventure.”

Joseph Campbell

Um dos tópicos mais interessantes na área de cinema é a “The Hero’s Journey“, proposta por Joseph Campbell.

“By studying the legends regarding the hero’s world, Campbell discoverd these are more or less the same stories but told over and over again with thousands of variations”. Claudio Dedola

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O Personagem IV

11 ago

Lembra das dimensões do personagem?

A segunda dimensão é a sociológica. Para estudá-la, devemos nos perguntar:

– Como foi a infância do personagem?
– Em que tipo de residência/vizinhança ele cresceu?
– Quais eram seus amigos?
– Qual era sua classe social?
– Qual a profissão de seus pais?
– Há tradições importantes para a sua família?
– Qual a religião/crenças do personagem?
– Quais seus hobbies / lazeres?
– É ativista político?

etc.

Em alguns filmes, a dimensão sociológica é a que mais se destaca dentre as três (física, social e psicológica) do personagem.

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A Premissa: Romeu e Julieta

8 ago

Lajos-Egri analisa as premissas de diversas peças, para explicar como é importante a todos as pessoas entender a força-motriz por trás de cada uma das histórias. Vamos tomar talvez a peça mais famosa e popular do mundo, cuja história quase todos conhecem: Romeu e Julieta, de Shakespeare. Não importa muito se você gosta ou não desta história, vale a pena analisar como Shakespeare desenvolve a premissa: “O grande amor supera até mesmo a morte“:

“The play starts with a deadly feud between two families, the Capulets and the Montagues. The Montagues have a son, Romeo, and the Capulets a daughter, Juliet. The youngsters’ love for each other is so great that they forget the traditional hate between their two families. Juliet’s parents try to force her to marry Count Paris, and, unwilling to do this, she goes to the good friar, her friend, for advice. He tells her to take a strong sleeping draught on the eve of her wedding which will make her seemingly dead for forty-two hours. Juliet follows his advice. Everyone thinks her dead. This starts the onrushing tragedy for the two lovers. Romeo, believing Juliet really dead, drinks poison and dies beside her. When Juliet awakens and finds Romeo dead, without hesitation she decides to unite with him in death.

This play obviously deals with love. But there are many kinds of love. No doubt this was a great love, since the two lovers not only defied family tradition and hate, but threw away life to unite in death. The premise, then, as we see it is: “Great love defies even death.”

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O personagem e suas três dimensões

6 ago

Neste post, vamos começar a estudar as três dimensões do personagem (física, social e psicológica). Esta forma de considerar o ser humano parte de uma conclusão simples, a de que todo objeto possui três dimensões: largura, altura e profundidade. É uma característica de nossa realidade.

O ser humano é mais complexo, então a estas se adicionam as dimensões física, sociológica e psicológica.

“Não podemos analisar um ser humano sem conhecer estas três dimensões. (…) Quando estudamos alguém, precisamos conhecer a razão por trás de suas ações e comportamento. O que o levou a ser como é'”. *

A primeira dimensão é a física, e esta é a mais simples e superficial de todas três. “É natural que uma pessoa corcunda veja o mundo de maneira diferente que alguém sem alguma imperfeição física”.

Vamos tomar o exemplo clássico do personagem Quasímodo, em ‘O Corcunda de Notre Dame’ (obra de 1831). A própria estrutura física é o que parece torná-lo um personagem. É preciso ter bem claro na mente que comparações com a vida real são ilusórias quando estudamos personagens. Pois personagens são criações da mente e imaginação de um autor. Não refletem a vida real. Para Victor Hugo, na época em que ele viveu, uma pessoa como Quasímodo tinha deformidades físicas que o tornavam uma espécie de monstro. Mas um monstro de espírito e coração nobres. Aqui lembramos o arquétipo da ‘Bela e a Fera’, sendo que Esmeralda representa o papel da Bela.

Foto: por huangjiahui

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A Casa de Up – Altas Aventuras

5 ago

Eu escrevi este post sobre o subtexto no filme Casablanca e percebi outro uso deste subtexto no filme Up (dentre vários). Carl, o personagem principal, é muito apegado à própria casa, tanto que prefere viajar ‘junto’ com ela a vendê-la a outra pessoa.

Ele conversa com a casa, como se nela vivesse o espírito de Ellie, sua falecida esposa.

O porquê de tanto amor eu só percebi quando assisti ao filme pela segunda vez: é a casa em que os dois se conhecem ainda crinaças, uma casa semi-destruída que os dois reconstroem juntos.

Em nenhum momento isso é dito – ainda bem. Mas está bem perceptível em tudo no filme. Até mesmo na idéia central, que é uma casa voadora com balões. Afinal de contas, seria muito mais fácil viajar de avião.

Foto: TheNickster

“Where are you going anyway?”

4 ago

“Um homem está sentado em sua oficina, ocupado com uma invenção com rodas e molas. Você pergunta o que é o aparelho, para que servirá. Ele olha para você em tom de confidência e sussurra: ‘Na verdade, eu não sei’.

Outro homem vem correndo, descendo a rua, sem fôlego. Você o intercepta e pergunta aonde ele está indo. Ele responde, ofegante: ‘Como poderia saber aonde estou indo? Estou seguindo meu caminho.’

A sua reação – e a nossa, e a do mundo – é a de que estes dois homens são um pouco malucos. Toda invenção precisa ter uma finalidade, toda corrida, um destino.

Entretanto, por incrível que pareça, esta necessidade simples não se fez sentida no teatro. Resmas de papel beiram quilômetros de manuscritos – tudo isso sem objetivo nenhum. Existe muita atividade febril, uma grande quantidade de levante-e-comece, mas ninguém parece saber aonde está indo”.

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O Personagem III

4 ago

“Considerando que um roteirista trabalha com imagens, as características físicas/visuais do personagem precisam ser levadas em consideração (em “Chinatown”, por exemplo, Jack Nicholson tem um nariz quebrado, porque ele é um detetive e seu trabalho é meter o nariz na vida dos outros)” *.

Em Edward Mãos de Tesoura, por exemplo, o rosto de Edward é cheio de cicatrizes, mostrando que ao longo dos anos ele se atrapalhou bastante com as mãos. Ele também era muito pálido, porque, além de ter sido ‘fabricado’ por um homem, o inventor que o criou (o filme se inspira em Frankstein), nunca saía de casa, então nunca via o sol.

“Personagens são o coraçã e a alma de toda obra literária, de teatro, de cinema e de TV”.

O professor nos estimula a elaborar uma forma pessoal de criar personagens. Muitos escritores pesquisam a fundo antes de criar um personagem. Viajam, leem livros, visitam o projetado ambiente de trabalho em que ele atuará. Tentam, assim, sentir-se ‘dentro’ da vida do personagem, na sua própria pele.

“Seja qual for o seu método, conhecer os seus personagens é um passo fundamental. Já foi dito anteriormente: ‘ você precisa conhecer a sua história’. Agora diremos: ‘você precisa conhecer o seu personagem’.

* Estes posts tomam como base a aula 6 do curso online de roteiro do Cineuropa, escrita por Claudio Dedola. Ele, por sua vez, usa extratos de Lajos-Egri, um roteirista e dramaturgo húngaro-americano.