Archive | setembro, 2011

Narrativas

27 set

“Em parte, questões sobre conteúdo e forma dos videogames são, de fato, indagações sobre o próprio poder da narrativa. A narrativa é um de nossos mecanismos cognitivos primários para a compreensão do mundo. É também um dos modos fundamentais pelos quais construímos comunidades, desde a tribo agrupada em volta da fogueira até a comunidade global reunida diante do aparelho de televisão. Nós contamos uns aos outros histórias de heroísmo, traição, amor ódio, perda, triunfo. Nós nos compreendemos mutuamente através dessas histórias, e muitas vezes vivemos ou morremos pela força que elas possuem.”

Janet Murray

Narrativas digitais

27 set

“A cada ano os estudantes chegam com uma preparação mais sofisticada para utilizar o computador não como um triturador de números, mas como um meio expressivo. Então, uma das surpresas foi a rapidez com que a narrativa interativa tem crescido como campo de aplicações práticas. Ela deixou de pertencer à Academia para fazer parte da cultura de massa.”

Janet Murray

Basquiat 2

26 set

Site de Jackson Pollock

26 set

No site Jacksonpollock.org é possível fazer sua própria action painting com o mouse.

Dubuffet 2

26 set

action painting

26 set

Jackson Pollock in action

“E um gesto é um plano com direção espacial e temporal, de que o signo pictórico é relatório. Podemos, reversivelmente, percorrer o signo em todas as direções, mas o signo é o campo de direções possíveis que o gesto – inrreversível desde que esboçado – nos impôs, através do qual o gesto original nos orienta na busca do gesto perdido, busca que termina ao reencontrar-se o gesto, e, nele, a intenção comunicativa”. p.174

Houve longa meditação até chegar àquele gesto. De certa forma, mesmo os (raros) autores que não meditam previamente, ou com intenção, no gesto que melhor expressa o que sente e quer dizer, mesmo estes gestos que parecem surgir “de um breve momento de inspiração e violência”, expressam um estado de espírito, um “estar no mundo” naquele momento, e até um pouco da concepção do autor sobre sua própria arte (o que pretende com ela), e portanto, sobre si mesmo, sobre sua condição ao menos temporária, naquele momento, como ser humano dentro de determinado contexto.

“Um exemplo desta confusão nos é dado pela pintura de Jackson Pollock. Perguntamo-nos: como é possível que o pintor faça pingar gostas de tinta sobre uma tela (posta no chão), desenhando e  compondo assim um quadro? Mas o gesto desenhado não é menos deliberado e intencional, quer o pincel toque ou não a tela; digamos que Pollock executou o gesto no ar, acima da tela, e que a tinta que pinga do pincel siga seu gesto.” p. 174

Delimitações da obra

26 set

A obra é um campo de escolhas realizadas, antes de ser campo a realizar. Portanto, ao buscarmos os limites entre uma obra aberta e uma obra que não chega a ser obra, por faltar-lhe definição, pensemos que a apresentação como obra já revela intenção do autor, e portanto um guia de limites à nossa percepção e sensibilidade [do fruidor].

Eco explica que um crítico de arte, após a fruição da obra, chega a suas conclusões após longos devaneios “depois que sua sensibilidade foi dirigida, controlada, endereçada pela presença de sinais que, por livres e casuais que sejam, são todavia fruto de uma intenção, e portanto obra.” p.173

Eco explica que até mesmo a action painting “não é apenas o registro de um evento telúrico casual: é o registro de um gesto”. P. 174 E é o registro de um gesto de um autor.